Somos mulheres, isso já é um fato, ponto e basta.
Temos lido e ouvido muito sobre as condições inferiores a que as mulheres são
submetidas, sobre como são tratadas de forma desigual no trabalho e como
ainda são marginalizadas pela sociedade quando tomam a decisão de
abandonar tudo e cuidar da sua vida.
A grande maioria das discussões enfatiza a nossa inferioridade, numa tentativa
de fazer-nos sair do ostracismo, tomarmos a rédea da situação e mudarmos o
curso da nossa história. No entanto, após o termino da leitura, ainda
permanece o vazio, o quem sabe um dia ou ainda, ah, como seria bom.
E eu posso dizer a vocês que não precisamos de muito, precisamos apenas de
uma verdade, absoluta, infalível de que se quisermos ser donas do nosso
destino, temos um Pai amoroso que ouve nosso clamor e sara as nossas
feridas. No evangelho de João, Jesus declara: “Eu vim para que tenham a vida
e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Essa é a verdade absoluta: vida em abundância.
Não é abundante até que cessem as chuvas e venha o verão quente, de sol
causticante, que seca os rios. Não há previsão de estiagem, de sede e de
fome. É abundante, no sentido de que, o que quer que aconteça, seja qual for a
tribulação, não sucumbiremos, não nos abalaremos, não desesperaremos.
E se é abundante, ela transborda, afeta quem está a sua volta, “incomoda” e
produz movimento, Se assim não for, não é abundante, e se Jesus mesmo
declarou que teríamos vida em abundância, não tem porque dizermos o
contrário.
Vida abundante irradia saúde, diminui as dores da pobreza material, não nos
permite deixar ser explorada e sofrer violência. Dá-nos força para romper com
os grilhões que nos acorrentam a uma vida de tristeza e dor.
Nos empodera e nos faz querer caminhar com outras mulheres que ainda não
aceitaram essa verdade absoluta, que ainda se encontram escravizadas a uma
vida negativa.
Nós, em Cristo, somos mais que vencedoras, e sendo assim, precisamos dar
testemunho do agir solidário de Jesus.
Nesse contexto, convido a todas a refletirem sobre a nossa presença e atuação
cristã frente aos conflitos humanos tão presentes no nosso dia a dia, na
perspectiva de viabilizar transformações.
Deus não quer que sejamos arvores secas, mas sim que demos frutos e cuja
folhagem não murcha (Salmos1).
Keila Arruda Nicolau Valente
Secretária Distrital da Federação Metodista de Mulheres da 5ª Região - Distrito de Piracicaba